“Desde que era preciso uma revolução, as circunstâncias determinaram que a juventude a levasse a sério. Só a juventude tem a cólera e a angústia suficientes para o empreendimento: pureza suficiente para vencer.”
Jean Paul Sartre
Ainda não está absolutamente claro para a sociedade de que a juventude é uma condição social específica que por esse motivo necessita de políticas públicas especiais e tão específicas quanto tal condição social. No entanto, mesmo em meio desse processo de consolidação dos direitos da juventude perante a sociedade e o poder público através da implementação de políticas públicas de juventude, é importante entender que o desafio maior está em entender que somos os jovens e as jovens, os próprios agentes de mudança da estrutura social vigente, especialmente no que concernem as questões da própria juventude.
Considerar as vitórias da juventude é uma questão de justiça histórica das lutas travadas ao longo dos tempos. A Revolução cubana de 59; a vitória na Campanha “O Petróleo é nosso”, encampada pela UNE e movimentos sociais; a vitória na Campanha pelas “Diretas Já”; o impeachment de um Presidente da República, o “Fora Collor”; o Maio de 68 na França; o Festival de Woodstock e o Movimento Hippie, também em 68; são provas incontestes de que, estando organizada, a juventude tem força de mudar o mundo. No entanto, durante esse período histórico, a juventude teve inimigos comuns e claros: o cerceamento dos direitos democráticos; aqui no Brasil representado pela instauração da ditadura militar; passando pela necessidade de redemocratização até culminar na eleição e impeachment de um presidente.
Os inimigos na contemporaneidade não se mostram tão claramente e, somente quem está engajado nas causas sociais conseguem perceber a crueldade com que o inimigo não-declarado, o grande Capital e o imperialismo neoliberal, oprime, aliena e subjuga a juventude em prol dos próprios interesses. Portanto, é imprescindível que a juventude deixe de se isolar no reflexo do retrovisor da história e passe a tomar as rédeas do processo de inclusão da juventude na sociedade de forma plena. Sem esquecer o passado, o caminho se apresenta pela frente com muitos desafios. O primeiro deles é, sem dúvidas, repensar a forma como ainda levantamos as velhas bandeiras de luta e buscar novas formas de impulsionar a luta por elas e, principalmente, pelas novas e igualmente desafiadoras bandeiras de luta.
A política nacional de juventude, apresentada pela Secretaria Nacional de Juventude do Governo Lula, oferece uma análise dos fatores sócio-econômicos e demográficos que cercam a juventude brasileira e conclui que, diferente do que regulamenta a Organização das Nações Unidas, a parcela de juventude mais afetada no país é aquela entre 15 e 24 anos. Isso porque, entre outras coisas, é essa a parcela de população que está entrando no período de constituição de uma vida economicamente ativa. Essa mesma parcela, todavia, é a parcela mais afetada pela violência, pela baixa escolaridade, pela baixa qualificação para o mercado de trabalho e, conseqüentemente, afetada pela dificuldade de se inserir nesse mercado.
Então, como fazer com que essa juventude se integre e protagonize a mudança de sua realidade? A resposta está justamente nas pepejotas. As políticas públicas de juventude devem dar conta de, além de garantir os direitos constitucionais da juventude, fazer com que ela se sinta parte integrante da sociedade, criando mecanismos de participação efetiva e controle social, como o Conselho de Juventude por exemplo. Cabe ao poder público a compreensão de que o Conselho de Juventude não pode e nem deve ser paritário, por exemplo; tampouco a ocupação do conselho deve ser mecânica ou por indicação, sob pena de o conselho não ter o aval da juventude que ele representa, perdendo legitimidade. Ou, sendo o conselho paritário, refletir muito mais a correlação de forças políticas vitoriosa nas eleições do que a vontade da juventude do município, do estado ou do país.
Outra questão essencial é a ocupação efetiva dos espaços institucionais. A juventude é a parcela da população mais atingida pelas informações. É quem mais busca compreender o mundo à sua volta, inclusive pela necessidade de entender a sua participação, o seu lugar na sociedade. É bem verdade que a juventude é estigmatizada, carregando sobre si os títulos de estagnados, alienados, mas é importante que se perceba que a juventude é o reflexo da constituição social que a envolve, portanto, a imagem e semelhança da sociedade em que vive. Colocar sobre as costas da juventude esse estigma é uma maneira cruel e injusta de esconder os próprios erros. Por isso é necessário refutar a idéia de incapacidade da juventude ou o caminho é admitir que a própria sociedade é incapaz de preparar sua juventude para assumir desafios em qualquer que seja a frente.
Quem tem mais legitimidade para tratar e lutar contra uma condição social desfavorecedora do que os próprios desfavorecidos? Só quem tem fome sabe o quanto dói a fome; só os jovens e as jovens sabem da dificuldade de ser jovem. Por isso somente eles tem a propriedade e a vontade suficiente para combater e modificar sua realidade. É considerando isso que se faz necessária a compreensão de que, mais do que uma parcela da população diferenciada, com direitos diferenciados, a juventude é a única que tem capacidade e a energia para ocupar os espaços de poder, seja nos movimentos sociais, seja na institucionalidade, mas sempre na posição de agente de mudança e não só de direitos. Esse é o paradigma. Esse é o desafio para a juventude.
03/04/2009
31/03/2009
:: Mágoa ::

Fiz-me embrulho
para presente
para ofertar-me aos amigos.
(Sempre fui o mesmo homem:
papel de seda, uma fita.)
Amei tanto, tanto mesmo:
só me chamaram poeta.
Sorri tanto, e só sabiam
que eu tinha dentes bonitos.
Guardei-me um dia no mar
chorei ondas pela praia.
Em mim nasceu uma flor
porque sempre fui jardim
Mágoa - Antonio Brasileiro
25/03/2009
:: Eu, Malandro ::
Ultimamente meu espírito está bem Malandro... tô me sentindo muito bem. Por isso, hoje eu vou deixar uma homenagem ao grande Chico Buarque, Malandro dos Malandros. Uma música de sua composição.

A VOLTA DO MALANDRO
Eis o malandro na praça outra vez
Caminhando na ponta dos pés
Como quem pisa nos corações
Que rolaram dos cabarés
Entre deusas e bofetões
Entre dados e coronéis
Entre parangolés e patrões
O malandro anda assim de viés
Deixa balançar a maré
E a poeira assentar no chão
Deixa a praça virar um salão
Que o malandro é o barão da ralé

A VOLTA DO MALANDRO
Eis o malandro na praça outra vez
Caminhando na ponta dos pés
Como quem pisa nos corações
Que rolaram dos cabarés
Entre deusas e bofetões
Entre dados e coronéis
Entre parangolés e patrões
O malandro anda assim de viés
Deixa balançar a maré
E a poeira assentar no chão
Deixa a praça virar um salão
Que o malandro é o barão da ralé
20/03/2009
Religiões de Matriz africana. Sincretismo, pra quê?
A liberdade religiosa está assegurada no art. 5º, inciso VI, que textualmente diz que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”. Qual a necessidade então, nos dias atuais, da manutenção de um mecanismo de defesa da integridade religiosa do culto trazido pela ancestralidade africana para o Brasil?
Em meio a escravatura, regada pelo sangue negro traficado da África, conhecida pela barbárie da aculturação, colocar Oxossi sob o escudo de São Jorge e Yemanjá sob o manto de Nossa Senhora, entre outros, era fundamento para manter intacta (até certo ponto) a cultura que os negros aprenderam oralmente pelos seus pais e mães, avós e avôs, pelos seus ancestrais. No entanto, hoje presenciamos o aprofundamento do estado democrático de direito. Qual o motivo para, querendo se desvincular, os adeptos das religiões de matriz africana esconder seus deuses debaixo dos santos cristãos? Nada os impede a não ser a própria cultura do sincretismo.
Na Bahia, estado que certamente recebeu a maior leva de escravos negros, o sincretismo chega a soar acintoso: babalaôs dão banho de pipoca em fiéis antes da missa católica em louvor a São Lázaro (sincretizado como Omolu); as mães-de-santo “lavam” as escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim (sincretizado como Oxalá); os tambores e as cantigas do candomblé animam celebrações. De longe essa não é uma manifestação ruim, pelo contrário, a tolerância religiosa é uma das melhores formas de boa convivência entre as diversas manifestações de fé, no entanto, a simbiose dos cultos incorre em clara ameaça à cultura africana. Especialmente quando o sincretismo, para além dos interesses dos adeptos às religiões de matriz africana, cumprem também o papel de servidores do opressor cristão.
Um exemplo grandioso do malefício causado pelo sincretismo é a associação de Exu ao Diabo cristão. Pela mitologia africana, Exu é o orixá mais humano dos orixás e, como um humano, é cheio de contradições. Dessa forma, segundo a mitologia, Exu é benevolente com quem lhe favorece e é maléfico, traiçoeiro com quem lhe devota igual tratamento. O símbolo de Exu é um pênis ereto e/ou um tridente e suas imagens normalmente são pretas e vermelhas. Considerando esses fatores, é de se concluir que o Cristinanismo – católicos e evangélicos na sua maioria – admita de maneira maniqueísta que tal figura esteja impedida de representar um ser santo, “iluminado”. E, com isso, se encarregou de satanizar Exu e, por tabela, demonizar os adeptos do candomblé e afins.
É necessário que os praticantes de religiões afro levem em consideração que o paradigma mudou. Para defender a cultura afro descendente é necessário que se faça o cainho inverso, o da desvinculação de fatores externos. Ainda hoje, a oralidade é a forma de difusão do aprendizado ancestral mais difundida e, portanto, o contato com a própria história é o que pode defender a cultura afro-brasileira do fim trágico. Não há o que se aprender sobre os ensinamentos de Olodumaré se ele nem sequer é mencionado a não ser como o Deus renascentista, branco, de cabelos igualmente brancos, olhos azuis e sentado num trono dourado pairando entre as nuvens, imagem com a qual não há qualquer identificação entre a maioria negra baiana e brasileira.
Não há que se repulsar as velhas formas como os negros vêem mantendo sua cultura, vinda dos seus antepassados, de boca em boca, embaixo de santos bancos, escondidos nas brenhas do mato, mas há sim, que começar o movimento de manifestação do orgulho afro descendente, respeitando obviamente a opção de quem manifesta sua fé de outras maneiras, trazendo a tona o que não há mais razão para se esconder.
Em meio a escravatura, regada pelo sangue negro traficado da África, conhecida pela barbárie da aculturação, colocar Oxossi sob o escudo de São Jorge e Yemanjá sob o manto de Nossa Senhora, entre outros, era fundamento para manter intacta (até certo ponto) a cultura que os negros aprenderam oralmente pelos seus pais e mães, avós e avôs, pelos seus ancestrais. No entanto, hoje presenciamos o aprofundamento do estado democrático de direito. Qual o motivo para, querendo se desvincular, os adeptos das religiões de matriz africana esconder seus deuses debaixo dos santos cristãos? Nada os impede a não ser a própria cultura do sincretismo.
Na Bahia, estado que certamente recebeu a maior leva de escravos negros, o sincretismo chega a soar acintoso: babalaôs dão banho de pipoca em fiéis antes da missa católica em louvor a São Lázaro (sincretizado como Omolu); as mães-de-santo “lavam” as escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim (sincretizado como Oxalá); os tambores e as cantigas do candomblé animam celebrações. De longe essa não é uma manifestação ruim, pelo contrário, a tolerância religiosa é uma das melhores formas de boa convivência entre as diversas manifestações de fé, no entanto, a simbiose dos cultos incorre em clara ameaça à cultura africana. Especialmente quando o sincretismo, para além dos interesses dos adeptos às religiões de matriz africana, cumprem também o papel de servidores do opressor cristão.
Um exemplo grandioso do malefício causado pelo sincretismo é a associação de Exu ao Diabo cristão. Pela mitologia africana, Exu é o orixá mais humano dos orixás e, como um humano, é cheio de contradições. Dessa forma, segundo a mitologia, Exu é benevolente com quem lhe favorece e é maléfico, traiçoeiro com quem lhe devota igual tratamento. O símbolo de Exu é um pênis ereto e/ou um tridente e suas imagens normalmente são pretas e vermelhas. Considerando esses fatores, é de se concluir que o Cristinanismo – católicos e evangélicos na sua maioria – admita de maneira maniqueísta que tal figura esteja impedida de representar um ser santo, “iluminado”. E, com isso, se encarregou de satanizar Exu e, por tabela, demonizar os adeptos do candomblé e afins.
É necessário que os praticantes de religiões afro levem em consideração que o paradigma mudou. Para defender a cultura afro descendente é necessário que se faça o cainho inverso, o da desvinculação de fatores externos. Ainda hoje, a oralidade é a forma de difusão do aprendizado ancestral mais difundida e, portanto, o contato com a própria história é o que pode defender a cultura afro-brasileira do fim trágico. Não há o que se aprender sobre os ensinamentos de Olodumaré se ele nem sequer é mencionado a não ser como o Deus renascentista, branco, de cabelos igualmente brancos, olhos azuis e sentado num trono dourado pairando entre as nuvens, imagem com a qual não há qualquer identificação entre a maioria negra baiana e brasileira.
Não há que se repulsar as velhas formas como os negros vêem mantendo sua cultura, vinda dos seus antepassados, de boca em boca, embaixo de santos bancos, escondidos nas brenhas do mato, mas há sim, que começar o movimento de manifestação do orgulho afro descendente, respeitando obviamente a opção de quem manifesta sua fé de outras maneiras, trazendo a tona o que não há mais razão para se esconder.
17/03/2009
15/03/2009
Arembepe...

Seguinte, Arembepe é um paraíso. Nenhuma novidade né? Tá, beleza. Olhem, tá acontecendo a Lavagem de Arembepe, pra bem da verdade hoje é o penúltimo dia, mas bem que eu prefiro a minha praia bem tranquila. Tá aí uma foto da Praia, dos Coqueiros, da tranquilidade, da paz, da graça, do céu azul, da crença em dias melhores para a natureza, enfim... é uma bela foto.
"Maior é Deus, pequeno sou eu."
10/03/2009
JC cubana convoca juventudes à jornada de solidariedade aos cinco cubanos presos nos EUA

Jornada juvenil de solidariedade aos cinco heróis cubanos prisioneiros injustamente nos cárceres dos Estados Unidos
A União de Jovens Comunistas convoca as organizações e associações juvenis e estudantis, e em geral todos os jovens de boa vontade do mundo a se unirem mesmo como em tantas outras ocasiões na luta a favor da verdade e da justiça.
De 10 a 12 de maio levaremos a cabo uma nova jornada internacional de solidariedade aos cinco jovens cubanos prisioneiros injustamente em cárceres dos Estados Unidos.
A luta pela libertação dos cinco heróis, representa uma batalha em favor da verdade e contra o terrorismo. O objetivo é derrubar o muro de silêncio imposto pelo governo dos Estados Unidos à opinião pública a respeito do caso, denunciar a manipulação e a mentira de um julgamento parcial e injusto, e dessa maneira exigir a libertação imediata de nossos cinco irmãos.
Durante dez anos o imperialismo tem arrojado com total irracionalidade todo seu desprezo sobre a dignidade humana; de maneira arbitrária faz ouvidos surdos dos pronunciamentos dos organismos internacionais e cria todo tipo de obstáculos jurídicos e políticos que impeçam encontrar uma solução justa para este caso. Só a mobilização real da opinião pública possibilitará a influência necessária para alcançar a justiça pela qual luta hoje nosso povo.
A humanidade vive um momento de importância transcendental para sua história e os jovens somos responsáveis por esta vitória em benefício do futuro. Esta jornada se realizará em apoio a cinco homens que sintetizam os maiores valores de dignidade, de altruísmo, de valentia e de solidariedade.
Convidamos todos a participarem em Havana, Cuba, de 10 a 12 de maio, do encerramento desta jornada com a realização do II Encontro Juvenil Internacional de solidariedade. Nossa juventude e nosso povo sentir-se-ão orgulhosos ao recebê-los para juntos reflexionar e trocar experiências e idéias que deverão se multiplicar para atingir a vitória nesta batalha.
Liberdade para os Cinco Heróis!
Liberdade para a Verdade e a Justiça!
Até a Vitória Sempre!
União de Jovens Comunistas de Cuba
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