27/05/2010

Até pode ser que os dragões sejam moinhos de vento

Sabe aquela hora em que você recebe uma notícia péssima? Quando acontece um problema material, tipo uma grana que você perdeu, uma dívida que você não esperava, uma casa que caiu, coisas assim, você se desespera. Mas, e quando a notícia é sobre pessoas? Como você reage?

Nos indignamos com a corrupção, com o preço do pão e da gasolina e da cerveja e do feijão. Mas, nós, os jovens, estamos perdendo a batalha para o crack, para a violência até mesmo por parte daqueles que deveriam prezar pela nossa integridade, os policiais. Um monte de jovem negro tomba nas periferias pela doença e pela bala. O que você acha disso? Você acha alguma coisa disso?

Na casa ao lado da sua, seu vizinho pode ter morrido há cinco dias e você nem percebeu porque você “nem fala com ele mesmo”... Você já cumprimentou alguém hoje? Não! Não tô falando em seu trabalho ou na sua escola ou na academia. Não tô falando daquele bom dia forçado para as pessoas não te acharem grosso. Você deseja realmente que as pessoas tenham um dia bom?

A quem interessa os programas de tevê que escorrem sangue? Eles são produtos. Se eles são ofertados é porque tem demanda. Quando você assiste eles você pensa no que fazer pra mudar aquela situação? Dar uma dimensão humana pra vida é tão necessário quanto comer. Você conhece seu corpo? Sabe quantos dentes você tem, né? Você se doaria por alguém? Talvez, eu sei. Mas certamente olha um cadáver na televisão com a distância devida. Não é seu filho nem seu pai nem ninguém conhecido, então, que vire estatística!

Você lembra em quem você votou nas últimas eleições? Não? Não é surpresa; pouca gente lembra. Mas o eleito lembra e pode estar agora mesmo fazendo mais uma lei pra você cumprir ou recebendo dinheiro “pra comprar panetone”. Você acompanha? Não, né? É mais fácil reclamar mesmo. Botar a culpa em outra pessoa, melhor ainda! O que você quer mesmo é ganhar dinheiro, ter uma vida bacana, dar segurança pra sua família, enfim, quer tudo que todos querem.

Quantas vezes você passa por moradores de rua? Quantos deles têm filhos? Quanta segurança eles tem? Quantas vezes e o quê eles comem por dia? Você nunca pensou nisso né? Mas eles pensam. Imagine seus filhos ou irmãos passando fome e morando embaixo de marquises de lojas onde você gasta seu dinheiro. Pensou?

O que eu quero mesmo é descobrir onde estão os humanos. Quero continuar tendo uma fé inabalável no futuro da humanidade. O problema é que o Presente apresenta só as imundícies. É duro ter esperança em tempos de causas perdidas que custam várias vidas, de desespero cáustico, de guerras inúteis, de injúrias cruéis e depressões. É difícil ser terno em meio a tanta desumanidade. Você acha que esses dragões que devoram a humanidade são reais? “Tudo bem, até pode ser que os dragões sejam moinhos de vento”*.

Sei que continuo lutando e vivendo e respirando e trabalhando e amando até que não tenha mais força e aí, vai ser tempo de recomeçar. Espero que até meus ossos possam ser úteis plantas e vermes e lutarei pra ser humano e orgânico até o fim.

“[...]Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?[...]”

Álvaro de Campos – Poema em linha reta

*Trecho da Música “Don Quixote” – Engenheiros do Hawaii

29/03/2010

Aqui (ou Memórias Do Cárcere)

Cordel Do Fogo Encantado

Vou
Vou pregar na parede
Um pedaço de céu
Que você me mandou

Vou buscar outra constelação
Entre a noite que vai
E o dia que vem

Eu canto aqui
Eu olho daqui
Eu ando aqui
Eu vivo

Canto aqui
Eu grito aqui
Eu sonho aqui
Eu morro...
(morro)

Vou
Vou riscar no meu braço
Um pedaço de mar
Que você me deixou

E criar outra recordação
Do primeiro lugar
Que acordei pra te ver

Eu canto aqui
Eu olho daqui
Eu ando aqui
Eu vivo

Canto aqui
Eu grito aqui
Eu sonho aqui
Eu morro...
(morro)

13/10/2009

Justificando a ausência.

Tô trabalhando! É isso. Tô na correria, mas juro que eu não sumo mais. Tem muito mais pieguice, política e inutilícias. \o/

Depois eu volto.

Beijão e me visitem sempre.

;]

27/08/2009

UEB E SEU HISTÓRICO e III CONGRESSO DA UEB

Em 1943 a União dos Estudantes da Bahia foi fundada, ali estava selada a história de uma organização que iria ser o centro das lutas do movimento estudantil baiano, desde então responsável pela defesa da reforma da universidade brasileira, da luta contra o nazifacismo, pela construção da Petrobrás, na luta contra a ditadura militar. Infelizmente os “anos de chumbo” extinguiram a UEB, porém ela continuou viva no ímpeto de tantos jovens baianos que dedicaram sua vida a militância, sendo presos, torturados e muitas vezes até sendo assassinados pela ditadura, abrindo mão do próprio futuro, em nome de um amanhã mais democrático e livre para nosso país.

Esta sagacidade de nossa juventude derrotou a ditadura e na década de 80 reconstruiu pela primeira vez a UEB, mas as portas da entidade voltaram a se fechar. Em 2005 os estudantes reunidos em congresso na Universidade Católica do Salvador, decidiram mais uma vez por reconstruir a UEB, desta vez com a determinação de jamais permitir seu fechamento. Tínhamos derrotado o período sombrio da ditadura militar brasileira, a UEB agora era a entidade responsável por unificar as lutas do movimento estudantil e social baiano, tendo a primeira tarefa dos diretores eleitos, das centenas de estudantes presentes, das dezenas de DA´S e DCE´S, fortalecer a UEB e fazer o movimento estudantil cada vez mais forte e influente na sociedade baiana. Desafio posto, desafio cumprido.

Nestes quatro anos que se passaram a UEB protagonizou as mais importantes batalhas dos estudantes, destacando o fortalecimento do movimento com a construção de DA´S e CA´S, realizando o primeiro encontro dessas entidades de base no estado e o vitorioso 1º Encontro dos Estudantes do PROUNI da Bahia.

Entre as principais ações da entidade estão à luta contra o aumento das mensalidades das universidades privadas, contra o aumento da tarifa do ônibus, em defesa da reserva de vagas, pela assistência estudantil, pela expansão do ensino superior público com qualidade, pela elaboração de um plano emergencial para as universidades estaduais, pela solidariedade internacional e contra o imperialismo entre outras.

Neste sentido, o 3° Congresso da UEB é de fundamental importância para dar continuidade à luta dos estudantes baianos em defesa da educação, e com a determinação assumida em 2005 daremos prosseguimento a esta história de combatividade batalhando pelos direitos dos estudantes.




3° Congresso da União dos Estudantes da Bahia

PROGRAMAÇÃO



27 de agosto – sexta-feira

Abertura: 19h: Aula Pública com Ariano Suassuna


28 de agosto – sábado

Abertura do congresso:
Sessão solene Reconstrução da UNE, em Salvador – 1979
Local: A definir – 8h

· Ex- presidentes da UNE -
Javier Alfaya – Deputado Estadual
Orlando Silva – Ministro do Esporte
· Ex- presidentes da UEB
Fernando Schmidth – Chefe de Gabinete do Governador
Juremar de Oliveira – Presidente do Conselho Estadual de Juventude
· Isaac Carvalho - Prefeito de Juazeiro
· Danilo Moreira – Secretaria Nacional de Juventude
· Sidonio Palmeira
· Arthur Poerner
· Alice Portugal
· Jacques Wagner - Governador
· Haroldo Lima – Diretor Geral da ANP
· Parlamentares

Tema : A universidade comprometida com os rumos da Bahia. Por uma expansão com qualidade no ensino superior.
Horário : 11h
Local : A definir


29 de agosto – sábado

GRUPOS DE DISCUSSÃO– GD’s

Alternativas para construção de um projeto nacional
Horário : 15h
Local : A definir

Universidades pagas: regulamentação e PL da UNE
Horário : 15h
Local : A definir

O REUNI e sua Implementação
Horário : 15h
Local : A definir


Expansão do ensino superior na Bahia: Pela criação de 4 novas Estaduais
Horário : 15h
Local : A definir

Cotas e Combate ao racismo
Horário : 15h
Local : A definir

Democratização dos meios de comunicação
Horário : 15h
Local : A definir

Meio Ambiente : Em busca do desenvolvimento Sustentável
Horário : 15h
Local : A definir

A construção do direito a saúde na Bahia: Desafios na formação em saúde para as necessidades do SUS.
Horário : 15h
Local : A definir

A formação das redes dos CUCAS na Bahia
Horário : 15h
Local : A definir

GLBTTT com orgulho
Horário : 15h
Local : A definir

Pela afirmação da igualdade de gênero
Horário : 15h
Local : A definir

Juventude, participação e políticas públicas de juventude
Horário : 15h
Local : A definir

ARENA CULTURAL – Viva ao velho Chico
Horário : 20 h
Local : A definir
· Apresentação da Peça Teatral – O dia 14
· Apresentação de bandas do circuito Regional
· Oficinas, Stands e Malabares


30 de agosto – domingo

9h: Culturata: Pela Revitalização do Rio São Francisco e Pela Criação da Universidade Estadual do São Francisco

11h: Plenária Final

13h: Almoço

15h: Plenária Final

08/07/2009

Minha princesa Rhanna!

Meu Deus! O tempo passou tão rápido... lembro quando Natasha chegou de Aracaju, nem parecia que tava grávida... fui buscar ela com Rafael. De repente, a barriga cresceu, descobrimos que era menina, ela chutou um monte e agora nasceu! Assim, rápido. Agradeço a Deus, a Natasha e Rafael por terem feito a coisa mais linda do dindo: Minha princesa Rhanna!

"Ai meu Deus, o que é que eu tô fazendo aqui!" Rhanna ao ver o mundo pela primeira vez.

29/06/2009

Os impactos da crise sobre a juventude e a condição juvenil - Anderson Campos

Explanação do Companheiro Anderson Campos no I Encontro da Juventude Trabalhadora do PT. Direto da TV JPT. Aproveitem!

25/06/2009

Pena


o teatro mágico
Composição: Fernando Anitelli e Maíra Viana


O poeta pena quando cai o pano
E o pano cai.
Um sorriso por ingresso.
Falta assunto, falta acesso.
Talento traduzido em cédula
E a cédula tronco é a cédula mãe solteira.

O poeta pena quando cai o pano
E o pano cai.
Acordes em oferta, cordel em promoção.
A Prosa presa em papel de bala:
Música rara em liquidação

E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
A Luz acesa
Lá se dorme um Sol em mim menor


Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior

O palhaço pena quando cai o pano
E o pano cai.
A porcentagem e o verso,
rifa, tarifa e refrão.
Talento provado em papel moeda:
Poesia metamorfoseada em cifrão.

O palhaço pena quando cai o pano
E o pano cai.
Meu museu em obras, obras em leilão.
Atalhos, retalhos, sobras:
A matemática da arte em papel de pão.

E quando o nó cegar
Deixa desatar em nós
Solta a prosa presa
A luz acesa
Já se abre um sol em mim maior


[Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior]